O fim das Bets e a saúde do trabalhador

No dia 25 de setembro, o Governo Federal publicou uma medida provisória que proíbe a exploração, a oferta e a publicidade de apostas online no Brasil. As bets não podem mais receber novos depósitos, os apostadores têm até 5 de outubro para sacar o saldo e os sites e aplicativos saem do ar a partir de 6 de outubro.

Para quem cuida de gente dentro das empresas, a notícia vai além da política. Ela reconhece algo que RH, Segurança do Trabalho e lideranças já sentiam na rotina: as apostas online viraram um problema de saúde ocupacional.

O tamanho do problema que já estava dentro da empresa

O dossiê "A saúde dos brasileiros em jogo", do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS), reuniu números que ajudam a explicar sintomas que muitos gestores viam soltos: faltas recorrentes, pedidos de adiantamento, queda de concentração, irritabilidade.

Segundo o estudo, os danos associados às apostas geram um custo social de R$ 38,8 bilhões por ano no Brasil. Quase 79% desse valor (R$ 30,6 bilhões) está ligado à saúde, entre tratamentos de depressão, perda de qualidade de vida e mortes por suicídio.

Outros dados merecem atenção de quem gere equipes:

  • Cerca de 10,9 milhões de brasileiros (7,3% da população) têm algum nível de envolvimento com apostas capaz de causar danos, e 1,4 milhão já se enquadraria nos critérios de Transtorno de Jogo.
  • Entre usuários de bets, 66,8% apresentam comportamento de risco ou problemático, quase o triplo do observado em outras modalidades.
  • Entre quem ganha até um salário mínimo, a prevalência de comportamento de risco chega a 52,8%, mais que o dobro da registrada entre quem ganha acima de dois salários.
  • Em média, pelo menos seis outras pessoas são afetadas por alguém com jogo problemático: família, colegas, equipe.

Também há o efeito no bolso. Segundo o Comsefaz, as famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para as bets em 2025. Endividamento vira estresse, o estresse vira sofrimento psíquico e o sofrimento chega ao trabalho.

Por que isso é um tema de NR-1

A NR-1 exige que as empresas identifiquem e gerenciem os fatores de risco psicossocial no ambiente de trabalho. O endividamento por apostas, com a ansiedade, a vergonha e o isolamento que costuma vir junto, é exatamente o tipo de fator que hoje precisa estar no radar do PGR.

A proibição reduz a exposição ao gatilho, mas não desfaz o que foi acumulado. O Ministério da Saúde já projetava um crescimento de 104% nos atendimentos por Transtorno do Jogo na Rede de Atenção Psicossocial até 2028, e essa rede pública já opera sob pressão. Na prática, boa parte do acolhimento vai depender de quem convive com o trabalhador todos os dias.

As próximas semanas pedem atenção

O calendário da medida cria um momento delicado para as equipes:

  • Até 5 de outubro: prazo para o apostador sacar o saldo por conta própria.
  • A partir de 6 de outubro: sites e aplicativos fora do ar.
  • De 9 a 14 de outubro: devolução dos saldos restantes pelos bancos.

Para uns, o fim das plataformas será um alívio. Para outros, pode significar irritabilidade, ansiedade ou a busca por plataformas clandestinas, que o governo promete combater com mais fiscalização. Vale ficar atento a mudanças de comportamento e garantir que exista um caminho seguro para quem precisar de ajuda.

Um ponto de atenção: a MP ainda será apreciada pelo Congresso

A medida provisória já produz efeitos desde a publicação, mas precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional dentro do prazo constitucional para virar lei definitiva. Se não for votada a tempo, perde a validade. Isso significa que prazos e detalhes ainda podem sofrer ajustes ao longo da tramitação. Por isso, vale acompanhar o andamento, mas sem esperar por ele para agir: o cuidado com a saúde mental dos colaboradores é necessário com ou sem a regra, porque o dano acumulado nos últimos anos continua presente nas equipes.

O que a sua empresa pode fazer agora

  • Atualizar o mapeamento de riscos psicossociais no PGR, incluindo o sofrimento financeiro e o endividamento entre os fatores observados.
  • Preparar as lideranças para reconhecer sinais de sofrimento ligado ao jogo (afastamento das pessoas, mudanças bruscas de humor, aumento do uso de álcool) e acolher sem julgamento.
  • Oferecer um canal de acolhimento confidencial, com encaminhamento para atendimento especializado.
  • Revisar adiantamentos e consignados, onde o impacto financeiro das apostas costuma aparecer primeiro.
  • Cuidar do retorno ao trabalho de quem estiver em tratamento, com a mesma seriedade dada a qualquer afastamento por saúde mental.

Virar a página com responsabilidade

O fim das bets encerra um capítulo difícil para a saúde financeira e emocional de milhões de famílias, mas a reconstrução acontece no dia a dia, e as empresas têm um papel central nela. Quem já vinha se organizando para a NR-1 tem agora mais um motivo para tratar a saúde mental como parte da gestão de riscos, e não como uma pauta paralela.

A Pro Ocupacional apoia sua empresa nesse caminho, do diagnóstico de riscos psicossociais exigido pela NR-1 à estruturação de fluxos de acolhimento e encaminhamento para colaboradores em situação de vulnerabilidade. Fale com a nossa equipe pelo 0800 590 0390, pelo site proocupacional.com.br ou pelo e-mail contato@proocupacional.com.br.

Fontes: IEPS, dossiê "A saúde dos brasileiros em jogo" (2025); Agência Brasil, "Bets passam a ser proibidas no país e apostador receberá saldo" (25/09/2026).

Uma oportunidade de virar a página com responsabilidade

A proibição das bets marca o fim de um capítulo perigoso para a saúde financeira e emocional das famílias brasileiras, mas abre outro: o de reconstruir. Empresas que já vinham de olho na NR-1 têm agora um motivo a mais para tratar a saúde mental como parte central da gestão de riscos, e não como uma pauta paralela de RH.

Cuidar disso não é apenas cumprir a legislação. É proteger a produtividade, reduzir afastamentos, reter talentos e, principalmente, sustentar um ambiente de trabalho mais saudável para quem constrói o resultado da empresa todos os dias.

A Pro Ocupacional pode apoiar sua empresa nesse momento, desde o diagnóstico de riscos psicossociais exigido pela NR-1 até a estruturação de fluxos de acolhimento e encaminhamento para colaboradores em situação de vulnerabilidade.

📞 0800 590 0390 🌐 proocupacional.com.br ✉️ contato@proocupacional.com.br

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